Christine Steiner tracking reintroduced Red-billed Curassows at REGUA (REGUA photo library)
Frog research at REGUA (REGUA photo library)
Reptile research at REGUA (REGUA photo library)

Pesquisa na REGUA

Se almejarmos garantir uma proteção de longo prazo à riqueza do acervo de espécies da flora e fauna que ocorrem na Mata Atlântica, não resta opção senão a de desenvolver um vasto conhecimento das espécies presentes, suas interações e os fatores que determinam ou afetam sua sobrevivência.

À primeira vista, a criação de um inventário da biota da Reserva Ecológica de Guapiaçu apresenta-se como algo relativamente fácil, mas o grau de dificuldade do terreno e a inacessibilidade de parte significativa do mesmo; aliada ao caráter eminentemente furtivo de algumas espécies, facilmente transformam tal inventário numa tarefa hercúlea, até para grupos mais fáceis de monitorar e bem conhecidos, como é o caso das aves. Por outro lado, a rica Biodiversidade – em numero de espécies – dos ecossistemas tropicais é contrabalançada por uma característica que dificulta os inventários completos, a relativa escassez de indivíduos de cada espécie, pelo que o fechamento deste tipo de pesquisa se estende por vários anos.

No caso das Aves, após dez anos de visitas regulares por parte de observadores de aves e ornitólogos com experiência, novas espécies estão continuamente sendo registradas, podendo ocorrer possivelmente 30 espécies adicionais a serem registradas nas maiores altitudes Ao passo que muitos visitantes podem contribuir com registros importantes de aves e mamíferos; o trabalho de buscar e identificar morcegos, anfíbios, répteis, insetos e plantas é tarefa quase exclusiva de profissionais e estudantes universitários, que por sua vez estão descobrindo gradualmente os benefícios e benfeitorias de trabalhar na REGUA.

A REGUA sempre teve um cuidado e atenção especiais na promoção e desenvolvimento de relações de trabalho colaborativas com instituições de pesquisa e educação brasileiras, bem como outras organizações, para mútuo beneficio. A REGUA, por seu lado pode disponibilizar um ambiente seguro, com habitats de excelente qualidade nos quais realizar as pesquisas, além de acomodação digna quando requerida e logística de suporte adequada por parte dos seus funcionários. Em troca, a REGUA pede os resultados dos trabalhos de pesquisa, os quais permitem a melhoria substancial do nosso conhecimento sobre o ambiente e biodiversidade que desejamos proteger e preservar, fornecendo também dados preciosos para os nossos planos de manejo, tanto para espécies singulares, como para os diversos habitats como um todo.

Tirando os primeiros levantamentos de aves, a primeira pesquisa cientifica foi levada a cabo no amo de 2002, por pessoal do Museu de História Natural do Rio de Janeiro (Museu Nacional – quinta da Boa Vista), visando ao levantamento da fauna de Arachnidae e ictiológica. Apesar de não ter sido descoberta nenhuma espécie nova para a ciência, essa pesquisas confirmaram o que já se sabia das aves; que a REGUA contem florestas de alta qualidade biótica e classificaram a reserva como local prometedor para pesquisas futuras. Em 2002, a REGUA assinou um convenio com a universidade Maria Thereza de Niterói (FAMATh) e a Universidade da Serra dos Órgãos em Teresópolis (FESO).

Durante os dois anos do programa de pesquisa, a REGUA recebeu mais de 20 estudantes completando suas graduações em Ciências Veterinárias (departamento de animais selvagens) e Biológicas, que ajudaram na compilação de um inventário de espécies animais mediante o recurso a metodologia de campo básica e barata, tais como armadilhas "pitfall" e de câmeras, redes de neblina e caminhadas básicas de observação. A estes se seguiram em 2002-03 um time de dois pesquisadores e dois estudantes da FESO, que coletaram dados adicionais numa base mensal. Os resultados finais foram publicados em duas dissertações com as listas das espécies e sua distribuição geográfica.

Em 2002, o Parque Estadual dos Três Picos, de 46,000 hectares foi criado e a REGUA imediatamente assinou um termo de cooperação com o Instituto Estadual de Florestas (IEF) permitindo a continuação de todas as pesquisas na reserva. Em 2003, Eduardo Rubião juntou-se ao pessoal da REGUA para coordenar a pesquisa, tendo sido instrumental no estabelecimento da rede de trilhas e no treinamento de guardas no trabalho básico de monitoramento. Também em 2003, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), juntamente com o Instituto BIOMAS chamou a si o primeiro levantamento dos anfíbios e répteis da REGUA.

Em 2003-04, a REGUA convidou o famoso ornitologista Brasileiro, Dr. Fabio Olmos, para realizar um inventario de todas as espécies de aves presentes. Este levantamento confirmou que a REGUA atende aos critérios da Birdlife Brazil para ser classificada como Important Bird Area (IBA) com uma extensa lista de grande qualidade de aves raras e ameaçadas. Esta pesquisa ajudou também a estabelecer a REGUA como um local de excelente potencial para a reintrodução do Mutum do Sudeste (Crax blumbachi) no Estado do Rio. Em 2005 o projeto de reintrodução recebeu aprovação do IBAMA e as primeiras 20 aves oriundas do Instituto Crax de Belo Horizonte foram soltas na REGUA em August de 2006. Todas as aves liberadas foram equipadas com radio transmissoras para serem monitoradas por Christine Steiner da Universidade de São Paulo como parte de uma dissertação de Doutorado. Em 2007 mais 20 Mutuns do Sudeste e um grupo de 20 Jacutingas (Aburria jacutinga) foram soltas; estando planejadas mais liberações em 2008.

A criação em 2005 da extensa rede de áreas úmidas na velha Fazenda São José brindou ao Professor Tim Moulton da UERJ uma excelente oportunidade de monitoramento do desenvolvimento e câmbios na fauna aquática durante o processo de restauração dos brejos. Estabeleceram-se quatro pontos de monitoramento para detectar e registrar mudanças na fauna, flora e na qualidade da água, incluindo condutividade, temperatura, pH e concentração de oxigênio. Medições da Turbidade e clorofila usando um Fluorómetro foram registradas, bem como a concentração de oxigênio e luminosidade durante ciclos de 24-horas no ponto de escoamento da área úmida na. The data collected revealed that the water entered the flooded area com a low level de oxygen concentration (about 10%) e left super-saturated (about 120%). O estudo revelou também que, durante o período de monitoramento, ocorreu um aumento na diversidade de espécies de Ephemeroptera, Odonata e Hemíptera.

Em 2006, André Cunha da UERJ veio em busca do Muriqui (macaco aranha) na REGUA, e teve a felicidade de realizar algumas boas observações. Em 2007, na esteira de observações subseqüentes, foi escrito um artigo publicado na revista "Neotropical Primates": 'Further sightings of the muriqui population, Brachyteles arachnoides (Geoffroy, 1806), in the Reserva Ecológica de Guapiaçu - REGUA, Cachoeiras de Macacu - Rio de Janeiro, Brazil'. O Muriqui, ou Southern Woolly Spider Monkey costumava se muito abundante através de toda a Mata Atlântica do Brasil, encontrando-se atualmente na lista vermelha de espécies Ameaçadas, devendo existir menos de 1,000 indivíduos no que resta hoje do seu território. À medida que a REGUA adquire mais terras e a perturbação da caça diminui, o numero de avistamentos de Muriquis aumentou tornando-se a REGUA um dos melhores locais para estudar esta rara espécie.

À medida que cresce a reputação da REGUA, um número maior de instituições se tem envolvido em pesquisas, tais como: ecologia de áreas úmidas, distribuição de orquídeas e desenvolvimento de florestas secundárias. Alguns destes programas de pesquisa foram elaborados de forma a contribuir para o programa "Mosaicos de Unidades de Conservação" do IBAMA e conservação de rica Biodiversidade do corredor Central da Serra do Mar e do Parque dos Três Picos. Por outro lado, um projeto de três anos sobre dinâmica de paisagens, em parceria da REGUA com a Leipzig University e apoios da Embrapa Solos e do Jardim Botânico do RJ; deverá trazer vários doutorandos à REGUA.

Alguns dos voluntários da REGUA também colaboraram em valiosos projetos de pesquisa, cujos resultados se adicionaram ao crescente acervo de informações sobre a Reserva.

Atualmente a REGUA sente que, apesar dos programas de pesquisa estarem a pleno vapor, necessita de estabelecer um Conselho de Consultores de Pesquisa Cientifica para coordenar e garantir que a pesquisa realizada na reserva se adeque aos padrões de excelência internacionais. Professor Pablo do Jardim Botânico do Rio de Janeiro afirmou recentemente que 'Sabemos o que existe lá fora, mas como funciona permanece um mistério'. No caso da REGUA's ainda resta muito o que aprender sobre o que existe por lá, e serão necessários muitos anos (se e que se esgotará) antes de sabermos realmente como funciona tudo.