Restauração

Restaurando a Mata Atlântica

Quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, a Mata Atlântica cobria uma área de 1.447.500 km2, aproximadamente 15% da área do país. Desde então, a floresta foi derrubada seletivamente; depois os ciclos destrutivos de produção de cana de açúcar, de tabaco e do café, a extração de madeira para fazer carvão e a criação de gado resultaram no aumento das áreas desflorestadas. Nos alvores do século XXI resta apenas 7% da floresta original, uma área de cerca de 100.000 km2. Embora a floresta seja protegida legalmente, atividades como criação de gado, agricultura e construção de casas ainda são uma ameaça em alguns locais. A REGUA tem trabalhado para reverter essa situação e mostrar que a restauração de habitats é possível e pode trazer resultados compensadores, mesmo no curto prazo. O trabalho de restauração de habitat da REGUA pode ser dividido em duas categorias: replantar áreas degradadas que têm se regenerado lentamente, usualmente devido ao terreno inclinado, utilizando mudas produzidas em nosso próprio viveiro. Também estamos restaurando os alagados da fazenda São José que foram drenados na década de 80 para produção agropecuária. Esperamos que as experiências de REGUA sejam compartilhadas e que estimulem outras pessoas e organizações a empreenderem atividades similares.

Os alagados

Há um quarto de século atrás a maior parte das terras baixas no entorno da pousada era coberta com Tabebuia cassinoides (Caxeta; Bignoniaceae), entre grandes samambaias e sob condições pantanosas. Esses alagados foram drenados e as árvores cortadas para extração de madeira, pois tratava-se inclusive de madeira de Lei. Posteriormente foi plantada batata-doce, tubérculo que usa grande quantidade de nutrientes e matéria orgânica do solo, por cinco anos. Quando a terra secou, os tocos remanescentes foram queimados e a área foi transformada em pastagem. Havia tempo que a ambição de Nicholas Locke, gerente de projetos da REGUA, era restaurar os antigos alagados no lugar das pastagens. Em 2003 adquiriu a fazenda São José e esse sonho se tornou possível. Depois de uma tentativa mal sucedida um ano antes, em 2005, uma grande área frente à pousada foi inundada após a construção de barragens de retenção de água, além de um vertedouro para saída de água feito em concreto. Isso resultou num alagado de 12 hectares, que maturou rapidamente e agora é habitado por uma fauna diversa e aves. Levarão alguns anos para que a caxeta, orquídeas e bromélias possam ser reintroduzidas, mas o passo inicial já foi dado, para restaurar esse habitat extremamente raro e especial.

Plantação de árvores

O objetivo da REGUA é plantar 100.000 árvores nos próximos cinco anos. Se quisermos alcançar nosso objetivo de restaurar a vegetação natural da reserva, em especial a floresta de Tabebuia cassinoides, teremos que adotar um enfoque mais proativo no manejo destes habitats. A maioria das mudas plantadas vieram de nosso viveiro de mudas e foram produzidas a partir de sementes coletadas na mata pela nossa equipe e por voluntários. A densidade típica para o plantio é de cerca de uma árvore por nove metros quadrados e a estação de plantio vai de janeiro a março, durante a época de chuvas. Os plantios mais recentes foram feitos em terrenos com inclinação acentuada e cobertos com a espessa grama imperador. Nestas áreas essa grama tem que ser pulverizada e os buracos para as mudas têm de ser escavados e enchidos de composto orgânico. Embora essa estratégia faça uso intensivo de recursos temos conseguido uma sobrevivência de 95%, muito mais alta do que em outros sistemas de plantio nos trópicos. A taxa de crescimento de muitas das árvores plantadas têm sido incrível, algumas têm sido monitoradas e possuem um número numa plaqueta de alumínio. Visitando e medindo regularmente essas árvores marcadas, obtém-se um retorno de informação (feedback) que permite o aprimoramento das nossas técnicas de plantio e manejo. A maior parte do financiamento desse trabalho foi provida pelo World Land Trust e temos planos para plantar mais 20.000 mudas futuramente.