Árvores na floresta

Areas alagadas

Há evidências históricas de que muitas áreas da baixada fluminense eram alagadas. O acervo da REGUA tem imagens mostrando ricas florestas paludosas com espécies como a Tabebuia cassinoides associados aos solos hidromórficos. No ano de 1980, estas florestas foram cortadas e as terras drenadas, dando espaço para lavouras e pastos. Este hábitat foi totalmente perdido ao longo do tempo, sendo necessário a sua recuperação para integrar o mosaico de micro hábitats que compõe a Mata Atlântica.

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A Fazenda São José em Julho de 2002, antes da criação dos alagados (© Alan Martin)
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O processo de recuperação iniciou-se em 2005, com o apoio financeiro do Wetland Trust UK num estudo de topografia da região, e a posterior terraplanagem para a criação de uma grande área que seria inundada, incentivando a biodiversidade da região, bem como a utilização das bordas dessas áreas alagadas para o plantio da árvore Tabebuia cassinoides.

O resultado foi imediato e o alunos do departamento de Limnologia da UERJ, comandado pelo Prof. Tim Moulton, têm acompanhado a evolução desta transformação. Rapidamente, os 12ha de espelho d’água foram colonizados por plantas aquáticas e animais invertebrados, sendo que jacarés de papo amarelo (Caiman latirostris) foram avistados no ano seguinte.

 

Em 2012, um casal de capivaras (Hydrochaeris hydrochaeris) também foi avistado numa ilha do alagado, e desde então as capivaras vem se reproduzindo, ocupando todo o espaço, bem como expandindo território fora da reserva.

Em 2012/2013,Chester Zoo apoiou a reprodução e plantio da espécie Tabebuia cassinoides característica da floresta paludosa, associada à rica flora epifítica de áreas da Mata Atlântica

Julho de 2005 – os diques de terra são construídos e os lagos inundados (© Alan Martin)

Alternância do estado dos “Alagados da REGUA”

Os estudos em limnologia têm revelado a saúde e a estabilidade bioquímica dos Alagados da REGUA, que vem sendo estudados desde 2005 pelos pesquisadores da UERJ. Um dos estudos mais recentes, nos alerta sobre a alternância do estado dos nossos wetlands (lagos rasos em inglês), que têm apresentado águas mais turvas devido à presença de algas do tipo Euglena sanguinia, que podem produzir um tipo de toxina prejudicial aos peixes. Essa alga também impacta o desenvolvimento de uma macrófita submersa, a Egeria densa que tem um papel importante no equilíbrio dos ambientes aquáticos, pois além de produzir oxigênio – que é liberado na água, serve de alimento para muitas espécies de peixes, aves e mamíferos. Além disso, funciona como abrigo para microrganismos planctônicos – micro-crustáceos e alguns tipos de moluscos.

Tudo isso nos mostra a dinâmica deste rico ecossistema e a importância de termos pesquisadores acompanhando esses fenômenos que vão moldando o ambiente aos poucos.

O que também vem acontecendo com os “Alagados da REGUA”  é uma alternância para o seu estado original, que é predominantemente pantanoso. Desde sua criação em 2005 até os dias de hoje, o lago mudou bastante e começou a ser dominado por plantas aquáticas, como a Taboa (Typha domingensis), assim como plantas anfíbias, que colonizam tanto os ambientes terrestres quanto os aquáticos.

 

A tendência é que o lago volte ao seu estado natural, pantanoso, bastante mais raso e com a presença de muitas plantas. Por isso é importante pensar em ações que possam manter a presença de aves aquáticas e diversas outras espécies que necessitam deste ambiente, ao mesmo tempo respeitando a saúde deste ecossistema e o curso da natureza.

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Fevereiro de 2006 – a vegetação pioneira se estabelece no local (© Alan Martin)
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Janeiro de 2008 – a taboa se estabelece no local (© Alan Martin)
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Imagem aérea feita por drone em 2020 (© Thomas Locke).