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Árvores na floresta

REINTRODUÇÃO DE FAUNA

A reintrodução de animais na natureza ajuda no restabelecimento da interação animal-planta e nos processos ecológicos, contribuindo para o desenvolvimento de um ecossistema saudável e equilibrado. Os processos ecológicos fundamentais dos ecossistemas são o ciclo da água, o ciclo biogeoquímico (ou nutriente), o fluxo energético e a dinâmica dos ecossistemas, que contribuem para a permanência da biodiversidade a longo prazo. A REGUA contou com alguns programas de reintrodução de fauna localmente extintas, onde apenas um continua vigente devido à possibilidade de financiamento (reintrodução das antas).

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Em 2005, o projeto de reintrodução do Mutum-do-sudeste recebeu a aprovação do IBAMA e as primeiras 20 aves, vindas do criadouro Instituto Crax de Belo Horizonte, passaram por uma quarentena no viveiro de aclimatação da Trilha verde, sendo soltas na REGUA em agosto de 2006. Todas as aves liberadas foram equipadas com transmissores de rádio para serem monitorados por Christine Steiner, da UNESP, como parte de um estudo de doutorado. Em 2007, mais 20 indivíduos foram liberados.

Em 2010, tendo em conta a alarmante situação de conservação da jacutinga e as constantes pressões ao habitat da espécie, teve início o “Programa de Conservação de Aves Cinegéticas da Mata Atlântica: Reintrodução e Monitoramento de Jacutingas (Aburria jacutinga)” e.g. Projeto Jacutinga. O programa foi uma exigência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio/APA Mananciais do Rio Paraíba do Sul com a finalidade de atender parte do passivo ambiental referente à licença de instalação do gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (GASTAU) construído pela Petrobras.

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A Fase I (2010-2013) do programa confirmou a raridade da jacutinga na Região da Serra do Mar e a necessidade de um reforço populacional urgente a fim de evitar a extinção local da espécie, considerada Criticamente Ameaçada (CR) de extinção pela lista de animais ameaçados no estado de São Paulo e Em Perigo (EN) de acordo com a lista Nacional de dezembro de 2014. No estado do Rio de Janeiro a espécie está extinta, tendo sido avistada pela última vez em 1978 no Itatiaia e em 1980 na Serra dos Órgãos; o que levou à extensão do programa de reintrodução da ave para a Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA).

Aula sobre o programa de reintrodução de antas na REGUA com a educadora Joana Macedo (© Vitor Marigo).
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A Fase I (2010-2013) do programa confirmou a raridade da jacutinga na Região da Serra do Mar e a necessidade de um reforço populacional urgente a fim de evitar a extinção local da espécie, considerada Criticamente Ameaçada (CR) de extinção pela lista de animais ameaçados no estado de São Paulo e Em Perigo (EN) de acordo com a lista Nacional de dezembro de 2014. No estado do Rio de Janeiro a espécie está extinta, tendo sido avistada pela última vez em 1978 no Itatiaia e em 1980 na Serra dos Órgãos; o que levou à extensão do programa de reintrodução da ave para a Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA).

A Fase II (iniciada em 2014 e com duração prevista para cinco anos) visa a reintrodução e monitoramento de jacutingas na região da Serra da Mantiqueira em São Francisco Xavier na Serra da Mantiqueira, em áreas próximas ao Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Caraguatatuba/São Paulo e na REGUA/Cachoeiras de Macacu, estado do Rio de Janeiro . Paralelamente, será estabelecido um protocolo de reintrodução e monitoramento destas aves de forma a poder ser replicado em outros locais onde a espécie está localmente extinta.

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As ações do projeto envolveram testes de sanidade das aves, preparação comportamental, reintrodução/soltura e monitoramento, educação e disseminação da importância da conservação da jacutinga e outras aves da Mata Atlântica. O apoio de zoológicos e dos criadouros conservacionistas de jacutingas, mediante fornecimento de aves para serem soltas é fundamental para o sucesso do projeto.

As jacutingas Thaty, Lily, Coffee e Carmen oriundas de cativeiro (3 da UENF e 1 do Parque das Aves) ficaram cerca de 6 meses no viveiro de reabilitação do Projeto Jacutinga em São Francisco Xavier para treinamentos de reconhecimento de predadores (aves de rapina, felinos e cães), teste alimentar, de voo e observações comportamentais. Após serem consideradas aptas para soltura foram transferidas para o viveiro de ambientação na REGUA onde passarão um mês de aclimatação antes da soltura.  Após a reintrodução serão monitoradas através de transmissores de localização via rádio, busca ativa e pela participação da comunidade local incentivando a prática de observação de aves.

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O projeto realizou a primeira soltura em junho de 2016 e até o momento foram 12 jacutingas soltas na Serra da Mantiqueira e 06 na Serra do Mar, totalizando 18 indivíduos. Este projeto foi realizado pela SAVE Brasil e patrocinado pela Fundação Grupo Boticário no RJ e pela Petrobras em SP. Este projeto não teve continuidade por falta de financiamento.

A reintrodução de antas (Tapirus terrestris) na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), uma espécie localmente extinta no Estado do Rio de Janeiro há muitos anos, teve início em 2017 com a chegada de três animais. Essa reintrodução faz parte do plantel de projetos promovidos e levados a cabo pelo REFAUNA e neste caso está sendo coordenado também pelo Laboratório de Ecologia e Manejo de Animais Silvestres do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (LEMAS-IFRJ). A fragmentação e a perda de habitat ao longo do tempo impactaram negativamente populações de médios e grandes mamíferos. A caça excessiva levou várias espécies de mamíferos a uma redução populacional significativa e à extinção de espécies.

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Junto com a reintrodução desses animais, estão sendo conduzidas pesquisas acerca de sua capacidade de dispersão de sementes, ecologia espacial e outras interações ecológicas. Atualmente temos 12 antas vivendo nas florestas da REGUA, sendo que quatro nasceram em vida livre. Os animais se adaptaram muito bem ao novo ambiente e os moradores do entorno da REGUA apoiam este programa. Este programa também tem o apoio do Projeto Guapiaçu e do projeto ANTologia, que tem o apoio do Instituto de Ação Socioambiental (Asa) e financiamento de Furnas Energia. O objetivo é estabelecer uma população viável, que com o tempo se disperse para o Parque Estadual dos Três Picos e outras áreas florestadas adjacentes, colonizando também o Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense.

 

O monitoramento das antas é conduzido pelo REFAUNA e projeto ANTologia.