9) Produtos Florestais
Não-Madeireiros (PFNM) e Biojoais

Os Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM) são recursos naturais encontrados em florestas que não são a madeira em si. Isso inclui uma vasta gama de itens como frutas, sementes, resinas, óleos essenciais, fibras, cogumelos, mel, plantas medicinais e ornamentais. Basicamente, tudo que a floresta oferece e que não precisa do corte da árvore para ser coletado.
Quais PFNM você conhece ou utiliza?

A relação entre os PFNM e a restauração florestal é uma via de mão dupla e representa uma oportunidade de negócio promissora e sustentável. Ao invés de simplesmente plantar árvores para recuperar uma área degradada, a estratégia de restauração florestal pode ser pensada para incluir espécies que gerem PFNM. Alguns exemplos de aplicação:
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Restauração com Foco em PFNM: Em vez de plantar apenas espécies madeireiras de crescimento lento, a restauração incorpora árvores frutíferas nativas, plantas que produzem óleos essenciais ou fibras, e espécies que atraem abelhas para a produção de mel;
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Geração de Renda para Comunidades Locais: À medida que essas espécies crescem e produzem, as comunidades locais e os proprietários de terras podem coletar e comercializar esses PFNM. Isso cria uma fonte de renda sustentável, incentivando a proteção e o cuidado com a floresta restaurada;
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Valorização da Floresta em Pé: Com a renda gerada pelos PFNM, a floresta adquire um valor econômico contínuo, reduzindo a pressão para o desmatamento e incentivando práticas de manejo sustentável. É uma forma de mostrar que a floresta "em pé" vale mais do que "derrubada";
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Diversificação e Resiliência: Áreas restauradas com foco em PFNM tendem a ser mais diversas em termos de espécies. Essa diversidade torna o ecossistema mais resiliente a doenças, pragas e mudanças climáticas.
Em resumo, a restauração florestal pode ir além do benefício ambiental, tornando-se também uma ferramenta de desenvolvimento econômico local ao integrar a produção de Produtos Florestais Não Madeireiros. É uma forma inteligente de unir a conservação com a geração de renda, criando um ciclo virtuoso de sustentabilidade.
Biojoias
As biojoias representam peças de adorno pessoal confeccionadas predominantemente com matérias-primas de origem orgânica e renovável, provenientes da biodiversidade. Essa definição abrange uma vasta gama de materiais, incluindo sementes, fibras naturais, madeiras certificadas, cascas, cipós, folhas, resinas vegetais, ossos e chifres de manejo sustentável, entre outros elementos da flora e fauna, sempre respeitando as regulamentações ambientais e os princípios do comércio justo.
As biojoias desempenham um papel crucial na cadeia produtiva da restauração florestal, atuando como um incentivo econômico para a conservação e a recuperação de ecossistemas degradados. A produção de biojoias demanda uma variedade de PFNM, como sementes (açaí, jarina, olho- de-boi), fibras (piaçava, buriti), e outros elementos que são colhidos de forma sustentável em áreas de restauração ou manejo florestal comunitário. Essa demanda agrega valor a esses recursos, tornando a floresta em pé economicamente atrativa.

Colar de Açaí e Paxiúba
Foto: Biojoias Las Tribus

Colar de Tucumã, Olho-de-boi e Açaí
Foto: Biojoias Las Tribus
A coleta, o beneficiamento e a confecção de biojoias criam oportunidades de trabalho e renda para as populações que vivem próximas às áreas de restauração. Essa atividade econômica alternativa fortalece o vínculo das comunidades com a floresta, incentivando sua proteção e manejo responsável. Para garantir o suprimento contínuo de matérias-primas para as biojoias, há necessidade do cultivo de espécies nativas, em sistemas agroflorestais ou em áreas em processo de restauração.
O Brasil, com sua vasta e rica biodiversidade, é um dos maiores produtores de biojoias do mundo. A criatividade dos artesãos, aliada à riqueza dos biomas brasileiros, resulta em peças únicas e cheias de significado. As principais biojoias brasileiras são confeccionadas a partir de uma diversidade impressionante de materiais naturais, muitas vezes coletados de forma sustentável no chão das florestas, evitando o corte de árvores.
Materiais Mais Comuns e Exemplos de Biojoias:
Sementes: São, sem dúvida, os materiais mais populares e variados nas
biojoias brasileiras, cada uma com suas cores, texturas e significados.

Açaí: As sementes do fruto do açaizeiro, de cor
escura e formato arredondado, são amplamente
utilizadas em colares, pulseiras e brincos.
Jarina (Marfim Vegetal): Uma semente branca e
muito dura, que lembra o marfim, é lapidada e polida para criar peças sofisticadas, como anéis e pingentes.
Castanha-do-Pará (ou Castanha-do-Brasil): Além de ser um alimento valioso, a casca e a própria semente são usadas em peças maiores e com textura marcante.


Olho-de-boi: Semente grande e brilhante, com um tom terroso, frequentemente usada em colares e como talismã.
Tucumã: Semente escura e resistente, comum na Amazônia, usada em diversas joias.


Pinhão: A semente da araucária é bastante utilizada na região Sul.

Outras sementes: Tento-carolina, murumuru, jatobá, babaçu, buriti, lágrimas de Nossa Senhora, morototó, entre muitas outras, oferecem uma infinidade de possibilidades de cores e formatos.
Fibras Naturais: A flexibilidade e a resistência das fibras brasileiras as
tornam ideais para tecelagens e tramas em biojoias.
Capim Dourado: Originário do Jalapão (Tocantins), é uma fibra vegetal com brilho natural que se assemelha ao ouro, utilizada
em peças sofisticadas como brincos,
colares e bolsas.
Piaçava: Fibras resistentes da palmeira,
usadas para criar texturas rústicas em
colares e pulseiras.


Fio de Buriti: As fibras da palmeira buriti
são trançadas para formar cordões, brincos
e pulseiras.
Cipós e Palhas: Diversos tipos de cipós e palhas (como a da bananeira) são utilizados
em tramas, cestarias e adornos.


Madeiras e Cascas: Madeiras de reflorestamento ou de reaproveitamento,
bem como cascas de árvores e cocos, são transformadas em contas, pingentes e
elementos texturizados.

Casca de Coco: Frequentemente descartada, a casca de coco é polida e pode ser usada em seu formato natural ou banhada em metais, conferindo um toque rústico e elegante.
Madeiras Certificadas ou de Reuso: Utilizadas para contas, bases de brincos ou elementos entalhados.


Outros Materiais Orgânicos
Pele de Peixe (curtida): Embora menos comum que as sementes, a pele de peixes como a tilápia, antes descartada, é curtida e tingida, resultando em um material resistente e com textura única para acessórios.


Chifre de Boi: Utilizado de forma sustentável (de animais que morrem naturalmente ou de rebanhos de corte), o chifre é lapidado e polido, dando origem a peças com design orgânico e sofisticado.
Pena de Aves: Penas de aves, principalmente as que caem naturalmente no período de muda, são usadas em peças mais leves e coloridas, sempre com a devida certificação e respeito às leis ambientais.


Resinas Naturais: Algumas resinas vegetais podem ser utilizadas para dar acabamento, tingir ou mesmo compor as peças.
As biojoias brasileiras não são apenas adornos; elas são uma expressão da nossa cultura, da nossa biodiversidade e do compromisso com a sustentabilidade. Ao escolher uma biojoia, você está carregando um pedaço do Brasil e contribuindo para a valorização das comunidades e a preservação dos nossos biomas.

Colar de Tucumã, Castanha do Pará,
entre outras.
Foto: Biojoias Las Tribus

Colar de Tucumã, Castanha do Pará e Jarina laminada.
Foto: Biojoias Las Tribus

