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QUEM SOMOS

A Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA) nasceu do anseio da família Locke de proteger os remanescentes florestais da sua propriedade rural no município de Cachoeiras de Macacu, estado do Rio de Janeiro. A fazenda do Carmo (que foi transformada em REGUA) foi adquirida pelo bisavô de Nicholas Locke (atual gestor da REGUA), Hilmar Werner, no ano 1907, tornando-se marco de referência estadual na produção agropecuária inovadora, comercialização de madeiras nobres e produção de cachaça artesanal. Cabe mencionar também, o expressivo contingente de pessoas saindo do regime de escravidão que, procurando sustento por todo o estado, encontraram na Fazenda do Carmo um local de trabalho e abrigo.

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Paisagem de área degradada fruto da extração de madeira da antiga Fazenda do Carmo (Acervo REGUA).

Hilmar Werner foi um dos pioneiros na instalação da indústria têxtil na cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Sua reconhecida paixão pela propriedade adquirida em Guapiaçu se traduziu em importantes investimentos no acesso terrestre a esta área, que contava com extensas planícies alagadiças. O nome Fazenda do Carmo remete aos monges Carmelitas que saíram do Rio de Janeiro em meados do século XVIII, atravessando a Baía de Guanabara e subindo o rio Guapiaçu até o último ponto de navegabilidade, onde se instalaram para começar seu projeto de evangelização até a sua saída no final do século XIX.

Nos anos 1970, a Fazenda do Carmo foi dividida entre Olga, Nora e Gerda, filhas do Hilmar Werner, que passaram a ter suas áreas administradas pelos seus respectivos herdeiros. Em 1995, com o intuito de começar um trabalho conservacionista, foi requerido um levantamento de Avifauna, em termos de bioindicadores, a dois especialistas oriundos do Reino Unido. Após dois anos de pesquisa, a apresentação de uma lista de 400 espécies deu o pontapé inicial para o desenvolvimento do projeto REGUA. Em 2001, foi formada a ONG ambientalista Associação Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA) com a missão institucional de conservar e proteger a Mata Atlântica da bacia do Rio Guapiaçu.

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Primeiro projeto de reflorestamento na REGUA em 2006. Reconstrução de antigo ambiente alagado (Acervo REGUA).
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Diversos programas são desenvolvidos para que a REGUA alcance este objetivo, dentre eles a restauração de habitats degradados, o controle à caça e exploração predatória de recursos naturais, através do patrulhamento diário dos guarda-parques nas florestas, o incentivo à pesquisa científica, o apoio à reintrodução de espécies das fauna e da flora extintas localmente, com destaque para o Mutum-do-Sudeste (Crax blumenbachii)), a Jacutinga (Aburria jacutinga) e a Anta (Tapirus terrestris), com o apoio de diferentes instituições de pesquisa, e o trabalho de educação ambiental com as comunidades vizinhas.

Anta (Tapirus terrestris)

Com o objetivo de alcançar a sustentabilidade financeira, a REGUA também conta uma pousada muito procurada por amantes da natureza e observadores de aves do mundo inteiro, já que 485 espécies de aves são descritas nesta região. A REGUA também oferece hospedagem e alimentação com valores mais acessíveis para alunos de universidades e participantes de cursos e workshops voltados para a área de biologia e áreas afins. Atualmente, 20 instituições de ensino superior têm parceria com a Reserva e mais de 120 artigos científicos já foram publicados.

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 Tiê-Sangue (Ramphocelus bresilius)
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Paisagem de área degradada fruto da extração de madeira da antiga Fazenda do Carmo (Acervo REGUA).

Voltado para a educação ambiental, a REGUA criou em 2004 o programa “Jovem-guarda”, com o intuito de sensibilizar e modificar a percepção dos jovens do entorno sobre as questões ligadas à conservação da Mata Atlântica. Crianças e jovens de 10-15 anos, moradores das comunidades locais de Areal, Estreito, Guapiaçu, Matumbo e Santo Amaro, matriculadas nas escolas do Ensino Fundamental, são o público-alvo deste programa e os encontros acontecem uma vez por semana, das 14:00h às 16:00h, sob a tutela da Coordenação de Educação Ambiental. Temas básicos como a importância da reciclagem, a reintrodução de espécies, a apresentação da rica flora e fauna local, o programa de restauração florestal, bem como a caça predatória são abordados neste programa. Aulas de expressão artística também são desenvolvidas a fim de potencializar o aprendizado do referido conteúdo. Atividades práticas, tais como a coleta e análise da qualidade de água dos Alagados da REGUA, visita ao Viveiro e visitas às comunidades para a entrega de um informativo denominado Boletim Verde também são frequentes. Notamos que estas ações têm reforçado a importância de proteger a nossa região. Não podemos deixar de mencionar que a REGUA também recebe muitas escolas, públicas e privadas do município para o fortalecimento do aprendizado por meio da experiência de campo.

Um marco para a história da REGUA diz respeito ao Projeto Guapiaçu, um programa apoiado pela Petrobras Socioambiental, que foi desenvolvido na REGUA no período de 2013 a 2022, e que impulsionou a instituição no ganho de escala nas ações que já vinha desenvolvendo, bem como ajudou a desenvolver novas ações. Assim, além de dobrar o número das suas áreas restauradas, o Projeto Guapiaçu criou o programa integrado de educação ambiental, fortaleceu a relação com a comunidade local através da mobilização social, reflorestou áreas de proprietários parceiros no entorno da Reserva, realizou o levantamento de novas áreas para restauração e apoiou o projeto Refauna, com a reintrodução de antas. Atualmente, contamos com outras importantes parcerias, que se dão através da WWF-Brasil, que já restaurou 20 hectares entre 2021 e 2022 e tem o objetivo de restaurar mais 30 hectares nos próximos anos, e com o Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), que irá fomentar atividades de enriquecimento com espécies arbóreas e apoiará atividades de monitoramento de fauna em áreas já restauradas na RPPN REGUA.

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Primeiro projeto de reflorestamento na REGUA em 2006. Reconstrução de antigo ambiente alagado (Acervo REGUA).
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A REGUA é hoje uma das maiores restauradoras de ecossistemas florestais do estado do Rio de Janeiro. Destaca-se neste cenário com 470 hectares de áreas restauradas e 700 mil mudas plantadas, com uma diversidade de mais de 500 espécies. O viveiro da REGUA possui capacidade de produção de 100.000 mudas ao ano. Nele, a maioria das espécies têm suas sementes coletadas na região, o que ressalta a importância do resgate genético para a conservação das mesmas, sobretudo aquelas consideradas raras e ameaçadas de extinção. Um dos principais objetivos da REGUA com a restauração florestal, além da manutenção da biodiversidade e preservação de espécies, é contribuir com a conservação da alta bacia hidrográfica Guapi-Macacu (que engloba os dois principais rios da região, Guapiaçu e Macacu), já que esta é uma importante unidade de abastecimento humano, responsável pelo fornecimento de água a milhões de pessoas que habitam parte da região Metropolitana do estado do Rio de Janeiro.

No ano de 2014, a REGUA foi aceita como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), a maior reserva da biosfera em área florestada do planeta, contribuindo de forma eficaz para o estabelecimento de uma relação harmônica entre as sociedades humanas e o ambiente na área da Mata Atlântica. A REGUA também participa do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, juntamente com mais 100 instituições de diferentes setores da sociedade, da Rede Mata Atlântica (RMA), da Rede de RPPNs e da Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do Estado do Rio de Janeiro (Pro Mudas Rio).

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Primeiro projeto de reflorestamento na REGUA em 2006. Reconstrução de antigo ambiente alagado (Acervo REGUA).
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A REGUA teve o seu Plano de Manejo aprovado em 2021 e se orgulha de sua trajetória. O seu reconhecimento se dá através do trabalho conjunto de colaboradores motivados e comprometidos que integram a sua equipe. A REGUA contou e conta com importantes parceiros como a Petrobras, o Brazilian Rain Forest Trust, o World Land Trust, a WWF-Brasil, a SOS Mata Atlântica, o DOB Ecology, a Saving Nature, a Conservation International, a Iniciativa Verde, a Ecosia, o IIS, o INEA, o Projeto Refauna, a ASA, a AMBEV, o Parque Estadual dos Três Picos, entre outras, e diversas instituições de pesquisas do estado do Rio de Janeiro.

A REGUA atualmente tem como presidente Nicholas Locke, bisneto de Hilmar Werner e vice-presidente Raquel Locke, sua esposa. A REGUA vem cultivando parcerias públicas e privadas nesta desafiadora tarefa de conservação e ao longo da sua história, tem adquirido propriedades rurais para integrar à Reserva para assim serem transformadas em RPPNs.

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Primeiro projeto de reflorestamento na REGUA em 2006. Reconstrução de antigo ambiente alagado (Acervo REGUA).

LINHA DO TEMPO

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2001 -​ A ONG Associação REGUA adquire seu CNPJ no 2° Cartório de Cachoeiras de Macacu.

Início dos trabalhos de Educação Ambiental nas escolas de entorno e programa Jovem Guarda em parceria com a Associação Mico-Leão-Dourado e apoio financeiro da CI (Conservação Internacional).

2002 - São contratados os primeiros guardas-florestais. 

Primeira aquisição de terras para integrar o patrimônio da REGUA. Criação do Parque Estadual Três Picos (PETP) sobrepondo áreas da REGUA.

2003 - Aquisição da Fazenda São José com edificações adequadas para concentrar as atividades conservacionistas e atrair o público alvo de observadores de aves.

2004 - Começo do projeto de restauração das áreas alagadas na Fazendas São José.

​Instituto Biomas elabora um levantamento faunístico evidenciando o bom estado de conservação da floresta.

2005 -​ Convênio com MMA para a elaboração da Agenda 21 de Cachoeiras de Macacu

2005-2008 - Projeto de Reintrodução do Mutum-do-Sudeste (Crax blumenbachii) em parceria com a Crax Brasil, Universidade de São Carlos e financiamento da Wetlands Trust (Reino Unido).

2008 -.Participação no evento Avistar, atraindo observadores de aves à Baixada Fluminense.

2009.- Sucessivas aquisições de terras na alta bacia do rio Guapiaçu.

2010.- SOS Mata Atlântica financia a restauração florestal em áreas degradadas da REGUA. 

​Com as reformas na infraestrutura da sede, a REGUA começa a receber grupos de estudantes universitários e pesquisadores.

2011 - Iniciativa Verde financia a restauração florestal em áreas degradadas da REGUA.

2012 - O sucesso da restauração florestal permite o financiamento do Mosaico Central Fluminense para ampliação do viveiro da REGUA.

2013-2016 - Patrocínio da Petrobras Socioambiental ampliando a escala da restauração florestal e educação ambiental, sendo esta expandida para todo o município de Cachoeiras de Macacu.

2013 - O INEA chancela a criação da 1a RPPN da REGUA (302 h)​ pelo Instituto IBIO com apoio da SOS Mata Atlântica.

2014 - REGUA recebe reconhecimento de Posto Avançado da Reserva da Biosfera Mata Atlântica.

2015 - O INEA chancela a criação da 2a RPPN da REGUA (35,2 h) no bairro de Santa Maria.

2° OFF (Observatório Florestal Fluminense) organizado pelo INEA e REGUA atraindo reflorestadores e um público interessado na restauração.

2016 - A Aliança para Clima, Comunidade e Biodiversidade aprova o reflorestamento de 100 hectares na culminância do projeto Guapiaçu Grande Vida (GGV), patrocinado pala Petrobrás.

2017-2019​ - É renovado o patrocínio da Petrobras Socioambiental aumentando a área de plantio e o escopo de Educação Ambiental que inclui o monitoramento de recursos hídricos na bacia do rio Guapi-Macacu.

Inicia-se o projeto de Reintrodução de Antas (Tapirus terrestris) liderado pela equipe Refauna.

Inicia-se o projeto de Reintrodução de Jacutingas (Aburria jacutinga) liderado pela SAVE Brasil. 

O INEA chancela a criação da 3a RPPN da REGUA na área conhecida como "João Paulo".

2019 - 3° OFF (Observatório Florestal Fluminense) organizado pelo INEA e REGUA atraindo reflorestadores e um público interessado na restauração.

2020-2022​ - É renovado o patrocínio da Petrobras Socioambiental aumentando a área de plantio, o escopo de Educação Ambiental que inclui o monitoramento de recursos hídricos na bacia do rio Guapi-Macacu e o fortalecimento das parcerias com proprietários rurais.  

2021 - Parceria com a WWF-Brasil, com a restauração de 20 hectares em propriedades de parceiros até 2022.

2022 - Parceria com o Instituto Internacional para a sustentabilidade (IIS), com o fortalecimento de ações de restauração de 22 hectares.

2022 - Renovação da parceria com a WWF-Brasil, com a restauração de mais 30 hectares até 2024.