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ALAGADOS

Nos primeiros anos, os esforços foram voltados para a recuperação ambiental sobretudo da parte baixa da antiga Fazenda, na qual hoje compõe a área da sede da REGUA. Essas terras vivenciaram inúmeras transformações no século passado, desde o desmatamento em si, que começou junto com a ocupação da região, até o desvio de rios, formação de açudes e o consequente desaparecimento das áreas alagadas e de brejo, típicas da região. Nesse contexto, a REGUA conseguiu “dar o pontapé inicial” na restauração ambiental através da reversão da drenagem, para recriar as áreas alagadas que existiam originalmente e que são um habitat para diversas espécies. Hoje, os famosos “Alagados da REGUA”, além de abrigarem alta biodiversidade, são o cartão postal da Reserva. Recente artigo publicado na Nature Geoscience ( Zou et al 2022) demonstrou que uma pequena elevação no nível de água em áreas alagadas, como é o caso dos alagados da REGUA, é uma importante solução baseada na natureza para sequestrar carbono atmosférico e mitigar as mudanças climáticas em curso.

Alternância do estado dos “Alagados da REGUA”

Foto dos alagados em 2005 - © REGUA
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Os estudos em limnologia têm revelado a saúde e a estabilidade bioquímica dos Alagados da REGUA, que vêm sendo estudados desde 2005 pelos pesquisadores da UERJ. Um dos estudos mais recentes, nos alerta sobre a alternância do estado dos nossos wetlands (lagos rasos em inglês), que têm apresentado águas mais turvas devido à presença de algas do tipo Euglena sanguinia, que podem produzir um tipo de toxina prejudicial aos peixes. Essa alga também impacta o desenvolvimento de uma macrófita submersa, a Egeria densa que tem um papel importante no equilíbrio dos ambientes aquáticos, pois além de produzir oxigênio – que é liberado na água, serve de alimento para muitas espécies de peixes, aves e mamíferos. Além disso, funciona como abrigo para microrganismos planctônicos – micro-crustáceos e alguns tipos de moluscos.

Manejo dos Alagados

Os alagados da REGUA, além de proporcionar uma vista deslumbrante para os visitantes da reserva  e ser habitat para diversas espécies aquáticas como jacarés (Caiman latirostris), pato-do mato (Cairina moschata) capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), lontras( Lontra longicaudis), além de outras,  são considerados uma restauração ecológica de habitat que integra a planície de inundação do rio Guapiaçu, e que em épocas pretéritas ficava alagada com bastante frequência, como é o entendimento do INEA.

Sua consolidação como espelho d'água permanente é fruto de ações de recuperação e enriquecimento ambiental promovidas pela REGUA.

Esses alagados são de extrema relevância para a biodiversidade local - proporcionando local de descanso, alimentação, e proteção/abrigo, contribuindo assim de maneira significativa para seu equilíbrio e  para isso, precisam ser manejados periodicamente, a fim de se manter um espelho d'água íntegro e limpo. Com este objetivo a equipe da REGUA obteve licença de pesquisa do INEA, N° 037/2022, para retirar mecanicamente espécies exóticas de plantas aquáticas que vinham se proliferando de forma acelerada , o que compromete a estabilidade ecológica do corpo d'água, e usar o material retirado dos alagados como adubo orgânico para produção de mudas da reserva.

O estudo foi considerado pioneiro na região, porque além de ser uma solução baseada na natureza, forneceu dados inéditos sobre o manejo de áreas alagadas na região, que pode servir de modelo para áreas similares e proporcionou uma utilização ecológica, das espécies exóticas invasoras dos lagos.

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Foto dos alagados da REGUA em 2022 - © REGUA
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Espelho d'agua na trilha amarela - © REGUA
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