Nova ave é avistada em área da Reserva Ecológica de Guapiaçu
No final de março de 2026, uma nova espécie de ave foi registrada nas áreas da Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA). O responsável pelo registro foi o guia de aves e autor do livro Aves do Sudeste do Brasil, disponível para venda na Reserva, Daniel Mello, que caminhava por uma das trilhas quando foi surpreendido por um canto diferente em meio à mata. O som vinha de uma ave que nunca havia sido registrada anteriormente na região: o cabeça-encarnada (Ceratopipra rubrocapilla).

Pertencente à família Pipridae, a espécie também é conhecida por diversos nomes populares, como uirapuru, maria-lenço, irapuru, atangará, tangará-de-cabeça-vermelha, tangará-de-cabeça-encarnada, patuqueira e dançador-de-cabeça-encarnada. Seu nome científico, Ceratopipra rubrocapilla, faz referência às características da ave e pode ser interpretado como “pequeno pássaro com chifre e cabeça vermelha”.
Com cerca de 10 centímetros de comprimento, o cabeça-encarnada apresenta diferenças marcantes entre os sexos. O macho, que pesa entre 10,9 e 13,8 gramas, possui plumagem preta e brilhante, contrastando com a cabeça vermelha. Já a fêmea, que pesa entre 12,7 e 16,6 gramas, apresenta coloração verde-olivácea na parte superior do corpo e tons mais acinzentados nas regiões inferiores, tornando-se amarelada na barriga.
A espécie alimenta-se principalmente de pequenos frutos, incluindo os de árvores nativas da Mata Atlântica, como a grumixama e a cabeludinha. Ao consumir esses frutos e transportar suas sementes, contribui para a regeneração e a dispersão de diversas espécies vegetais na floresta. O cabeça-encarnada habita principalmente os estratos médio e baixo das florestas. De acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a espécie é classificada como “Pouco Preocupante” (Least Concern). Embora possua registros na Mata Atlântica e em áreas da Amazônia, sua ocorrência no estado do Rio de Janeiro ainda é relativamente restrita.

Até 2025, a espécie havia sido registrada em apenas sete municípios fluminenses. O novo registro na REGUA amplia esse cenário e reforça a importância da restauração e da conservação das florestas de baixada na bacia do rio Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu.
Para a equipe da REGUA, o avistamento representa muito mais do que a chegada de uma nova espécie à lista de aves da Reserva. É também um sinal dos resultados alcançados por 25 anos de trabalho contínuo de conservação, restauração e proteção da Mata Atlântica. Ao longo desse período, mais de 1 milhão de mudas de espécies nativas foram plantadas, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas e para o restabelecimento de habitats para a fauna.
O cabeça-encarnada voltou a ser observado em outras duas ocasiões por visitantes e observadores de aves, Duarte Nunes e Daniel Brites, que também tiveram a oportunidade de registrar a espécie na REGUA.
Para Daniel Mello, a presença da ave pode representar um importante indicador da recuperação das florestas da região: "...essa vinda do cabeça-encarnada é um ótimo sinal de que as florestas de baixada estão se recuperando bem e criando conexões (corredores) com as florestas de Silva Jardim e Casimiro de Abreu, que abrigam as maiores populações dessa espécie na região... É muito possível que os avistamentos dessa espécie se tornem cada vez mais comuns na REGUA e seu entorno imediato com a restauração dessas florestas de baixada.", disse Daniel Mello à equipe de Comunicação da REGUA.
Fotógrafo: Duarte Nunes




Comentários